No centro do oceano Pacífico, a água está com febre. Cada nova previsão dos modelos meteorológicos europeus mostra a temperatura a subir mais do que no mês anterior. Na quinta-feira, a leitura mais recente chegou com um alerta silencioso.
O Centro Europeu para Previsões Meteorológicas de Médio Prazo divulgou uma atualização de maio que projeta que as temperaturas à superfície do oceano no Pacífico equatorial central podem subir aproximadamente 3°C acima da média até final de 2026. Se a previsão se confirmar, o El Niño em desenvolvimento igualaria ou superaria os eventos mais fortes já registados, incluindo o super El Niño de 2015-16 e o evento catastrófico de 1877-78.
Quando o Pacífico equatorial se aquece, a atmosfera reorganiza-se em resposta. As chuvas que normalmente caem sobre a Indonésia deslocam-se para leste sobre o oceano aberto, secando o Pacífico ocidental. Os padrões de vento mudam. As tempestades deslocam-se.
As consequências estendem-se por todo o planeta. A Austrália e a Indonésia inclinam-se para a seca. Condições mais secas aumentam o risco de colheitas fracassadas na Índia, no Sudeste Asiático e em partes das Filipinas. O sul dos Estados Unidos tipicamente recebe um inverno mais húmido. A Argentina, o Uruguai, o Paraguai e o sul do Brasil veem frequentemente chuvas acima do normal.
O El Niño de 2026 poderia igualar ou superar em magnitude o evento de 2015-16, resultando em novos recordes de temperatura global em 2027.