Em fevereiro de 2026, enquanto diplomatas se reuniam na Conferência de Segurança de Munique, uma antena parabólica no telhado da Embaixada Russa em Viena mudou de posição. Os serviços de contra-inteligência austríacos estavam a observar.
Este pequeno movimento ajudou a fundamentar uma decisão anunciada esta semana que rompe com tradições austríacas de décadas. A 3 e 4 de maio, o Ministério dos Negócios Estrangeiros austríaco declarou três funcionários da Embaixada Russa como "personas non grata" e ordenou a sua saída do país em 48 horas.
O caso centra-se na chamada "floresta de antenas". Aproximadamente oito antenas estão no telhado da chancelaria da Embaixada Russa no 3º distrito de Viena, e mais numa composto russo separado perto do Danúbio. Os investigadores concluíram que pelo menos uma dessas antenas poderia interceptar sinais destinados a Moscovo.
Segundo o Serviço de Proteção do Estado e Inteligência (DSN), as antenas estavam a interceptar comunicações de organizações internacionais importantes em Viena: a Agência Internacional de Energia Atómica, OPEC, OSCE e várias agências da ONU.
A ministra dos Negócios Estrangeiros Beate Meinl-Reisinger afirmou que a espionagem é inaceitável. Em abril, o embaixador russo foi convocado e teve 14 dias para renunciar à imunidade diplomática dos três oficiais suspeitos. Moscovo recusou. A Embaixada Russa chamou o movimento "ultrajante" e prometeu uma resposta dura. Aproximadamente 14 oficiais russos foram expulsos da Áustria desde 2020.