Esta semana, em Chicago, médicos assistiram a algo raro na investigação do cancro do pulmão: não apenas um, mas dois ensaios que sugerem que a forma como se trata o cancro mais mortal do mundo está prestes a mudar.
O cancro do pulmão mata mais pessoas do que qualquer outro cancro em todo o mundo. Há décadas que os doentes com cancro pulmonar de células não pequenas do tipo escamoso tinham menos opções alvo do que outros. Por isso, quando a Reunião Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica em 2026 reservou dois lugares na Sessão Plenária, os mais prestigiados da maior conferência de cancro do mundo, para estudos sobre cancro do pulmão, o sector prestou atenção.
O primeiro estudo, HARMONi-6, testava um novo tipo de medicamento. A maioria das terapias contra o cancro atinge um alvo. Este, ivonescimab, é um anticorpo bispecífico: uma única molécula concebida para bloquear duas coisas ao mesmo tempo. O ensaio envolveu 532 doentes com cancro pulmonar avançado, divididos em dois grupos. Um grupo recebeu ivonescimab mais quimioterapia. O outro recebeu uma imunoterapia já estabelecida mais quimioterapia.
A nova combinação venceu. Os doentes que receberam ivonescimab viveram uma mediana de 27,9 meses, comparado com 23,7 meses no regime padrão. Isto representa uma redução de 34 por cento no risco de morte.
O segundo estudo, LIBRETTO-432, focava-se num grupo muito mais pequeno. As fusões RET são um defeito genético raro que causa entre um e dois por cento dos cancros do pulmão. O ensaio mostrou que selpercatinib, um medicamento já existente, reduzia o risco de recidiva em 83 por cento quando dado mais cedo, após a cirurgia.