A Ucrânia e a Moldávia iniciaram oficialmente a fase principal das suas negociações de adesão à União Europeia em 15 de junho de 2026, um marco diplomático que esteve parado por quase dois anos. Em Luxemburgo, representantes europeus e dos países candidatos desbloquearam formalmente o primeiro grupo de conversações de adesão, conhecido como "Fundamentos".
Para Kyiv, este momento teve um peso histórico profundo. Taras Kachka, Vice-Primeiro-Ministro da Ucrânia para a Integração Europeia e Euro-Atlântica, liderou a delegação do seu país. Ele descreveu o avanço como uma mudança monumental para um país que ainda luta contra a invasão russa. "Para nós, isto é realmente um Rubicão, um momento decisivo", disse Kachka. Ele acrescentou que toda a sociedade ucraniana vê a adesão ao bloco europeu como um sonho coletivo, notando que a unidade é essencial, pois a agressão russa continua a ser uma ameaça permanente para o continente.
O caminho para Luxemburgo foi facilitado por uma mudança política na Europa Central. Os líderes da UE tinham aprovado o início das conversações em dezembro de 2023, mas o processo foi bloqueado pela Hungria, sob o antigo Primeiro-Ministro Viktor Orbán. Essa barreira desapareceu em maio de 2026, quando Péter Magyar assumiu o poder como novo primeiro-ministro húngaro. O governo de Magyar rapidamente mudou para uma política externa pró-europeia. Após um acordo sobre a proteção de minorias, Magyar retirou o veto, permitindo que os embaixadores da UE chegassem a um consenso político em 12 de junho.
O cluster "Fundamentos" representa a base do sistema de valores da União Europeia e cobre padrões democráticos essenciais, incluindo o Estado de direito e a reforma da administração pública. O processo de negociação completo inclui 35 capítulos, organizados em seis clusters temáticos. "Fundamentos" contém cinco capítulos específicos, como o judiciário e a proteção de direitos básicos. Este cluster inicial é o primeiro a abrir e o último a fechar, e o progresso em outras áreas depende do desempenho nestes padrões democráticos e legais.
Líderes europeus celebraram o lançamento como um testemunho da resiliência dos países candidatos. A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, elogiaram a determinação e o trabalho árduo demonstrados por ambos os países na busca por reformas, apesar dos enormes desafios. A integração europeia é vista como uma garantia crucial para a segurança e estabilidade económica futura da Ucrânia e da Moldávia, e um escudo vital contra a agressão russa. No entanto, obstáculos significativos permanecem, e a estrada para a adesão plena levará anos de alinhamento rigoroso com o direito europeu.