Uma descoberta num osso fóssil de 236 milhões de anos está a mudar a história da evolução dos mamíferos. Investigadores encontraram um anel de crescimento microscópico dentro do osso de um animal extinto chamado Chiniquodon theotonicus. Este animal, que comia carne e tinha o tamanho de um cão grande, viveu durante o período Triássico Tardio.
Este anel é a primeira prova de que estes antepassados dos mamíferos davam à luz crias vivas. Antes, pensava-se que o nascimento vivo só tinha começado há cerca de 160 milhões de anos, nos mamíferos terianos. Esta descoberta antecipa essa data em pelo menos 90 milhões de anos.
O anel encontrado é uma linha neonatal, que se forma quando um animal nasce ou eclode. Os cientistas calcularam que um bebé Chiniquodon pesava cerca de 1,7 kg, o que representava 14% da massa corporal da mãe. Esta proporção é semelhante aos mamíferos placentários modernos, como os antílopes duiker. Em contraste, os répteis e aves de tamanho semelhante têm crias muito mais pequenas em proporção.
Os investigadores acreditam que o nascimento vivo evoluiu tão cedo devido ao ambiente difícil do período Triássico. Havia muita competição por recursos, muitos predadores e um clima seco com mudanças extremas. Manter um embrião dentro do corpo da mãe oferecia mais proteção do que deixar ovos num ninho.
Esta descoberta sugere que outras características dos mamíferos, como pelo, produção de leite e cérebros complexos, também podem ter tido origens antigas nos cinodontes. A descoberta levanta a possibilidade de o nascimento vivo ter evoluído duas vezes ou de ter evoluído uma vez no início da linhagem dos mamíferos, com alguns mamíferos a reverterem para pôr ovos mais tarde.