A 13 de fevereiro de 2023, algo invisível passou pelo Mar Mediterrâneo. Uma única partícula subatómica, viajando quase horizontalmente pela água do mar perto da costa da Sicília, colidiu com um átomo aproximadamente 3.450 metros abaixo das ondas. A colisão produziu um clarão azul, captado por um detector parcialmente construído que funcionava com apenas dez por cento da sua capacidade planeada. A partir desse brilho, os físicos calcularam que a partícula transportava cerca de 35 joules de energia, aproximadamente o impacto de uma maçã em queda.
Era o neutrino mais energético jamais registado. Dez vezes mais poderoso do que qualquer coisa observada anteriormente. Durante mais de três anos, ninguém sabia de onde provinha.
Agora, um artigo publicado na Revista de Cosmologia e Física de Astropartículas a 11 de março de 2026, oferece uma resposta convincente. O culpado, argumentam os autores, não é um objeto único, mas uma família inteira de monstros cósmicos: blazares, buracos negros supermassivos que apontam os seus jatos de plasma relativísticos quase diretamente para a Terra.
A equipa de investigadores simulou uma população de blazares usando software chamado AM3. Os números foram ideais. Uma população de blazares com os parâmetros correctos poderia produzir neutrinos suficientemente energéticos para explicar a detecção na Sicília. O modelo também prevê que os blazares contribuem quase nada para o fluxo de neutrinos de energia mais baixa, exactamente como o telescópio IceCube observa. Em outras palavras, a astrofísica convencional pode ser suficiente. Nenhumas partículas novas são necessárias.