Quando uma célula assassina toca um tumor, forma uma cúpula. Pela primeira vez, cientistas observaram isto em três dimensões, a uma escala de nanómetros, com a célula congelada tão rapidamente que a água no seu interior não teve tempo de formar gelo. As imagens, publicadas a 29 de abril de 2026 na revista Cell Reports, mostram algo que biólogos tentam ver claramente durante décadas: a arquitetura precisa da célula mais letal do sistema imunológico enquanto destrói cancro.
O trabalho resulta de uma colaboração entre a Universidade de Genebra e o Hospital Universitário de Lausana, duas instituições suíças que combinaram investigadores básicos com oncologistas clínicos. O instrumento utilizado é um novo método chamado cryo-ExM, que faz duas coisas incomuns simultaneamente.
Primeiro, congela as células tão rapidamente que a água solidifica sem formar cristais, num estado vítreo. Depois, as amostras congeladas são expandidas dentro de um hidrogel absorvente, esticando as estruturas biológicas para que microscópios de luz comum possam resolver detalhes que normalmente não conseguem.
Os investigadores capturaram linfócitos T citotóxicos, as células brancas frequentemente chamadas assassinas do sistema imunológico, no ato de matar células cancerígenas. O que encontraram no ponto de contacto foi impressionante: a membrana forma uma cúpula cuja estrutura parece estar ligada a interações de adesão e à organização interna da célula. Dentro dessa cúpula estão as armas da célula: pequenos pacotes chamados grânulos citotóxicos que contêm as moléculas que a célula assassina usa para penetrar e desmantelar o alvo.