Imagine uma faixa de cinzento que vai do preto profundo ao branco puro. Parece simples. Mas durante quase cem anos, essa linha de cinzentos escondeu um problema que um dos maiores físicos do mundo não conseguiu resolver.
Nos anos 1920, Erwin Schrödinger, o físico austríaco famoso pela sua equação, virou a sua atenção da física atómica para algo muito mais simples: a cor. Tentou criar uma matemática de como os humanos percebem a tonalidade, a saturação e a claridade. A sua teoria dependia de uma ideia chave: o "eixo neutro", aquela linha cinzenta entre preto e branco. Mas Schrödinger nunca a definiu realmente.
Essa falha permaneceu durante cem anos. Agora, uma equipa do Los Alamos National Laboratory, o laboratório americano famoso pelo seu papel no Projeto Manhattan, finalmente resolveu o problema. Liderada pela cientista Roxana Bujack, a equipa derivou o eixo neutro diretamente da geometria da cor. A matemática produzia-o automaticamente.
Para isto, a equipa teve de abandonar uma estrutura que os cientistas confiavam há mais de 150 anos. No século 19, o matemático Bernhard Riemann propôs que o espaço de cores percebidas é curvo, como uma paisagem. Schrödinger usava esta geometria de Riemann para medir como duas cores são diferentes.
O trabalho novo mostra que este modelo não é suficiente. A equipa trabalhou com um espaço não-Riemanniano. O resultado foi publicado na revista Computer Graphics Forum.
O grande resultado é que as qualidades da cor - tonalidade, saturação, claridade - não são hábitos aprendidos. Estão construídas na própria estrutura do espaço de cor. Isto significa que a forma como você e uma pessoa do outro lado do mundo experimentam o vermelho ou o azul podem vir da mesma base matemática, não das vossas experiências diferentes.