Na cidade de Bunia, no nordeste da República Democrática do Congo, a doença começou entre enfermeiros e médicos e espalhou-se por 17 zonas de saúde. Os primeiros doentes não eram pacientes, mas profissionais de saúde.
O vírus é Ébola, mas não a espécie que a maioria das pessoas conhece. É a espécie Bundibugyo, uma das quatro que infetam humanos e a mais rara. Foi identificada em 2007 no Uganda ocidental. Antes deste ano, havia apenas dois surtos registados. Este é o terceiro e o maior da sua espécie.
Até 8 de junho de 2026, havia 598 casos confirmados e 115 mortes na República Democrática do Congo. A província de Ituri representa cerca de 94 a 95 por cento dos casos. O surto atingiu também as províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul.
Depois, cruzou a fronteira. O Uganda registou 19 casos confirmados e 2 mortes. O primeiro caso foi um homem congolês que viajou para Kampala, a capital.
O que torna este surto tão perigoso é a falta de ferramentas para o combater. Não existe vacina licenciada para o vírus Bundibugyo. Não existe tratamento aprovado. As vacinas que ajudaram a acabar com a epidemia de Ébola na África Ocidental entre 2014 e 2016 foram criadas contra uma espécie diferente, a Zaire.
A Organização Mundial da Saúde declarou uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional em 17 de maio de 2026. A resposta continental custará 518 milhões de dólares. Sem vacina e sem cura, o combate depende dos métodos mais antigos: encontrar os doentes cedo, isolá-los e cuidar deles.