Há seis anos, os Estados Unidos celebraram uma nova era no comércio norte-americano. O acordo foi promovido como uma vitória histórica. Hoje, o criador dessa estrutura decidiu que já não é suficiente.
Em 1 de julho de 2026, representantes dos Estados Unidos, México e Canadá participaram numa reunião virtual. A agenda era uma revisão obrigatória de seis anos do Acordo Estados Unidos-México-Canadá, um pacto que rege cerca de 1,6 biliões de dólares em comércio regional anual. Tanto o México como o Canadá chegaram com um objetivo claro, tendo já anunciado o desejo de manter as regras comerciais por mais dezasseis anos.
Os Estados Unidos recusaram a oferta.
Através do Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, a administração do Presidente Donald Trump rejeitou oficialmente a renovação automática. Esta decisão não extingue imediatamente o pacto comercial, que substituiu o antigo NAFTA em 2020. Em vez disso, ativa um mecanismo único incorporado no tratado. As três nações têm agora de se reunir para negociar todos os anos. Se não conseguirem chegar a um consenso revisto na próxima década, todo o acordo expirará em 1 de julho de 2036.
A rejeição marca uma inversão dramática. Quando o pacto entrou em vigor durante a primeira presidência de Trump, ele elogiou-o como a lei comercial mais equilibrada e benéfica que o país já tinha promulgado. Agora, durante o seu segundo mandato, a sua avaliação mudou, juntamente com as relações diplomáticas.
O principal ponto de discórdia é um desequilíbrio massivo na troca de bens. Em 2025, os Estados Unidos registaram um défice comercial de 48,3 mil milhões de dólares com o Canadá, impulsionado pelas importações de petróleo. O Canadá é atualmente o principal fornecedor de petróleo bruto para o mercado americano.
A situação na fronteira sul apresenta uma lacuna financeira ainda maior. O défice comercial dos EUA com o México atingiu 197 mil milhões de dólares em 2025, um aumento de 87% desde que as atuais regras comerciais entraram em vigor em 2020. Os oficiais americanos apontam para dois culpados principais: a produção de veículos nos EUA estagnou e suspeitam que fabricantes chineses estão a enviar os seus produtos através do México para evitar penalidades de importação americanas.
O Presidente Trump resumiu a sua posição em junho de 2026: "Não precisamos de nada que o Canadá tenha. Não precisamos de nada que o México tenha, mas eles precisam de tudo o que nós temos."
Esta postura agressiva já alterou o panorama económico. Mesmo antes da revisão de 1 de julho, o governo dos EUA impôs tarifas pesadas aos seus vizinhos, incluindo uma taxa de 10% sobre produtos de madeira, 25% sobre veículos motorizados e peças, e 50% sobre alumínio e aço.
No entanto, líderes no México e no Canadá tentam projetar estabilidade. O Ministro da Economia mexicano, Marcelo Ebrard, manteve um tom diplomático: "Não há nenhuma diferença que eu possa identificar entre o México, os Estados Unidos e o Canadá que seja tão grande que não possamos resolver."
O Ministro do Comércio canadiano, Dominic LeBlanc, expressou um sentimento semelhante, enfatizando a necessidade de discussões contínuas para apoiar a competitividade e prosperidade regionais.
A estrutura dessas discussões futuras permanece um ponto de discórdia. A administração Trump sinalizou uma forte preferência por desmantelar a abordagem das três nações. Os oficiais americanos indicaram que o Presidente quer redigir contratos bilaterais separados de dez anos com o México e o Canadá. Ambos os países vizinhos rejeitaram publicamente a ideia de dividir o mercado unificado da América do Norte.
Por agora, as regras existentes permanecem totalmente ativas. Benefícios tarifários, proteções para investidores e regulamentos sobre comércio digital e medidas anticorrupção continuam a funcionar como antes da reunião de 1 de julho. O comércio regional em si cresceu significativamente sob estas regras, de 1,07 biliões de dólares em 2020 para mais de 1,63 biliões de dólares em 2024.
A próxima fase deste impasse económico começará em breve. Negociadores americanos e mexicanos estão agendados para se reunir na Cidade do México para uma terceira ronda de conversações bilaterais durante a semana de 20 de julho. Entretanto, discussões profundas sobre a linguagem específica do tratado entre os Estados Unidos e o Canadá ainda não começaram.
A estabilidade automática que definiu os negócios norte-americanos durante décadas desapareceu. Em seu lugar, há um relógio a contar, deixando milhares de empresas a navegar num cenário onde as regras do comércio internacional serão debatidas ano após ano.