Um vídeo de quase 19 minutos mostra uma mulher loura e glamorosa, filmando de Mónaco, que fala ao Presidente da Rússia dizendo que ele não compreende o seu próprio país. Victoria Bonya, antiga participante do reality show "Dom-2", afirma que apoia Putin, mas quer informá-lo sobre as cheias em Daguestão, a poluição nas praias perto de Anapa, o gado a ser abatido em Novosibirsk, e os cortes de telemóvel. Em dez dias, cerca de 31 milhões de pessoas viram o vídeo.
O Kremlin respondeu. O porta-voz Dmitry Peskov disse que nada estava a ser ignorado. Mas abril é um mês difícil para o governo russo. O PIB contraiu 1,8% em janeiro e fevereiro. As receitas de petróleo e gás caíram quase 45%. Os números de aprovação de Putin também caem. A sondagem estatal VTsIOM registou 65,6%, descendo de 77,8% em dezembro.
A resposta de Putin foi severa. Em 9 de abril, agentes de segurança chegaram ao escritório de Novaya Gazeta em Moscovo. Dias depois, oficiais entraram na Eksmo, a maior editora do país, apreendendo milhares de livros sobre temas LGBTQ. Nas cidades russas, o sinal de telemóvel continua a desaparecer. As autoridades dizem que é para perturbar drones ucranianos, mas Bonya listou estes cortes como algo que o presidente poderia não estar a ver.