As águas das inundações na Província Ocidental recuaram e o passado veio com elas. Através do arquipélago de New Georgia, onde uma das campanhas mais importantes da Segunda Guerra Mundial foi travada há mais de oitenta anos, a erosão e as inundações causadas pelo Ciclone Tropical Maila expuseram algo de que as ilhas nunca se libertaram completamente: bombas não detonadas, projéteis e minas dos anos 1940, agora à superfície no solo revolto pela tempestade.
Segundo um relatório humanitário coordenado pela ONU, a descoberta desta munição de guerra é uma das complicações mais preocupantes numa emergência que já afetou mais de 150 mil pessoas nas Ilhas Salomão. O Ciclone Maila atingiu a Categoria 4 na escala Saffir-Simpson enquanto se movia pelo Oceano Pacífico. A tempestade registou rajadas de até 260 km/h nas Ilhas Salomão e também atingiu Papua Nova Guiné.
Vinte e uma unidades de saúde foram danificadas. Oitenta e quatro escolas foram afetadas, prejudicando aproximadamente 15.800 estudantes. Uma estimativa de 3.600 mulheres grávidas necessitam urgentemente de assistência. Colheitas e meios de vida foram destruídos, aprofundando a dependência de ajuda humanitária.
As Ilhas Salomão encontram-se sobre uma das concentrações mais densas de detritos de guerra do planeta. A Campanha de Guadalcanal, travada entre agosto de 1942 e fevereiro de 1943, foi seguida por anos de combate adicional. Décadas depois, vastas quantidades de munição não detonada ainda repousam no solo e águas costeiras rasas. As inundações do Maila trouxeram algumas delas de volta à luz, precisamente na Província Ocidental, onde alguns dos combates mais intensos ocorreram.