Pela primeira vez em mais de cem anos, África vai acolher os Jogos Olímpicos. Em 2026, a nação da África Ocidental, Senegal, será o anfitrião dos Jogos Olímpicos da Juventude. Este evento histórico, que começa a 31 de outubro, marca a primeira vez que um país da África Subsariana organiza uma competição olímpica.
Cerca de 2.700 jovens atletas, com 17 anos ou menos, vão competir em 25 desportos com medalhas e 10 eventos sem medalhas. Uma novidade importante é que haverá um número igual de participantes masculinos e femininos. Ao todo, haverá 153 eventos com medalhas, incluindo competições para homens, mulheres e eventos mistos. Pela primeira vez, haverá também uma equipa olímpica de refugiados.
Os organizadores planeavam realizar o evento em 2022, mas a pandemia adiou-o por quatro anos. Agora, os preparativos estão a acelerar em três cidades principais: Dakar, Diamniadio e Saly. Em Dakar, os atletas usarão várias instalações, como o Complexe Tour de l'Œuf e a Corniche Ouest. O Estádio Abdoulaye Wade em Diamniadio acolherá o tiro com arco e a cerimónia de abertura.
O râguebi de sete, uma versão rápida do râguebi tradicional, terá um destaque especial. Oito equipas nacionais competirão no Complexe Iba Mar Diop em Dakar. A equipa anfitriã já está a treinar intensivamente.
Para os líderes desportivos, este torneio é uma estratégia para despertar o interesse dos jovens na região e identificar novos talentos. Humphrey Kayange, que lidera a comissão de coordenação, disse que o evento é uma oportunidade rara para a região. "Senegal está a segurar a tocha e a mostrar a África", afirmou. "Estamos a dar as boas-vindas a todos do movimento olímpico para vivenciar os Jogos no continente pela primeira vez."
Os organizadores querem que o evento vá além do desporto, misturando competições com educação cultural e programas de desenvolvimento juvenil. O lema oficial, "África acolhe, Dakar celebra", reflete a hospitalidade tradicional do país, conhecida como "teranga". Kirsty Coventry, de Zimbabué, foi a primeira mulher e africana a presidir ao Comité Olímpico Internacional. Thierno Cisse, um dos organizadores locais, disse: "Somos embaixadores de África."
Christophe Dubi, um oficial sénior olímpico, descreveu o evento como "monumental". Ibrahima Wade, coordenador geral, notou que muitos achavam que um evento olímpico africano era impossível. "Os Jogos ainda não chegaram, mas algo está a mudar na mentalidade", explicou Wade. A cerimónia de abertura será um novo capítulo para o desporto global.