Os Países Baixos, famosos pela sua luta contra o excesso de água, enfrentam agora uma crise diferente: uma grave seca. Após semanas de calor intenso e pouca chuva, as autoridades declararam um alerta de nível dois, confirmando uma escassez nacional de água. A evidência é clara: o rio Reno, na fronteira oriental, está com um nível de água muito baixo, o mais baixo desde a seca histórica de 1976. Esta situação afeta o transporte comercial, pois os barcos transportam menos carga para evitar tocar no leito do rio. A seca resulta da falta de chuva nos Países Baixos, Alemanha, Suíça e nas Ardenas, além de uma pequena quantidade de neve nos Alpes Suíços. O engenheiro de rios Daniel van Putten alertou que o nível dos rios está a descer rapidamente, o que é invulgar para esta altura do ano. O aquecimento global torna estas secas mais frequentes. O Ministério da Infraestrutura e Gestão da Água pode agora impor regras de conservação. Cinco dos vinte e um conselhos de água já limitaram a extração de água. Na província de Limburgo, foi proibida a retirada de água de superfície, pois a seca causa danos irreversíveis à vida selvagem. Na região agrícola de Brabante, os agricultores não podem regar as suas colheitas entre as nove da manhã e as nove da noite, o que alterou os seus horários. No entanto, são permitidas exceções para a hidratação de gado e para arrefecer árvores de fruto, bem como para combate a incêndios. A subida da temperatura da água ameaça os ecossistemas aquáticos e as centrais elétricas. Os gestores de água tentaram preparar-se armazenando água e modificando as comportas para impedir a entrada de água salgada. Pede-se à população que use a água da torneira com moderação, pois os suprimentos de água potável permanecem seguros. A escassez é intensa para meados de julho e prevêem-se mais semanas de tempo seco.