As margens serenas do Lago Genebra contrastaram com a crise digital que se desenrolava à porta fechada. A 17 de junho de 2026, em Évian-les-Bains, França, os criadores do boom da inteligência artificial reuniram-se com líderes mundiais. A lista de convidados para o almoço da cimeira do G7 incluía o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os seus principais funcionários e cerca de uma dúzia de executivos de empresas como Meta, Mistral AI e Cohere.
Mas o encontro foi ofuscado por um apagão digital ocorrido cinco dias antes. A 12 de junho, Washington emitiu uma diretiva, ordenando à Anthropic, uma empresa de investigação em segurança de IA, que bloqueasse imediatamente todos os estrangeiros do acesso aos seus sistemas avançados Fable 5 e Mythos 5. A ordem criou um obstáculo técnico impossível, forçando a Anthropic a desativar os sistemas para todos os utilizadores globais.
O encerramento súbito causou ondas de choque, ilustrando o tema central da cimeira do G7: garantir a implementação segura e produtiva da inteligência artificial. Os executivos da Anthropic notaram que os funcionários federais não forneceram uma justificação de segurança explícita. Suspeitam que o governo descobriu um método para contornar as proteções de segurança do Fable 5, embora a empresa argumente que a vulnerabilidade era limitada.
Este conflito não é novo. Desde fevereiro, a administração Trump e a Anthropic têm estado em disputa, com a empresa a recusar-se a permitir que a sua tecnologia seja utilizada para armas autónomas ou vigilância em massa. Para os líderes europeus, o encerramento súbito de um produto tecnológico americano validou os seus receios de depender demasiado de infraestruturas controladas pelos EUA. O Presidente francês, Emmanuel Macron, alertou que os países aliados simplesmente recusar-se-ão a comprar inteligência artificial americana se temerem que a tecnologia possa ser desligada abruptamente.
Para acalmar estas ansiedades, os responsáveis do G7 discutiram a criação de um quadro especial para designar países amigos, restaurando potencialmente o seu acesso a ferramentas de IA americanas restritas. Entretanto, os executivos tecnológicos apresentaram as suas próprias visões para a governação global. Dario Amodei, da Anthropic, e Demis Hassabis, do Google DeepMind, defenderam uma coligação liderada pelos EUA. Amodei enfatizou a cooperação internacional para gerir sistemas de ponta e defender contra espionagem, perigos biológicos e ciberataques, recomendando também a exclusão da China das cadeias de abastecimento globais.
Sam Altman, da OpenAI, propôs uma organização mundial unificada para estabelecer padrões de teste para capacidades e perigos da IA. No entanto, Altman também aconselhou os líderes a não cederem as suas responsabilidades às empresas de IA, afirmando que "nenhum laboratório individual deve tomar as decisões". A cimeira terminou com uma dinâmica delicada entre o estado e o setor privado, com os criadores de tecnologia a pedirem aos líderes mundiais que assumissem finalmente as rédeas.