Numa manhã de sábado em janeiro, a pequena cidade irlandesa de Athlone encheu-se com o rugido de tratores. Milhares de agricultores protestaram contra um acordo comercial que estava prestes a entrar em vigor. Do outro lado do Canal, agricultores franceses bloqueavam depósitos de combustível perto de Bordéus.
A 1 de maio de 2026, o acordo comercial provisório entre a União Europeia e o Mercosul entrou em aplicação. Após mais de 25 anos de negociações, a UE e o bloco sul-americano (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) abriram uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. O mercado combinado representa aproximadamente 720 milhões de pessoas.
Para os exportadores europeus, a mudança é imediata. Automóveis, vinho, queijo e azeite fluem para o Mercosul com tarifas preferenciais reduzidas. Em troca, carne, frango, açúcar e soja da América do Sul enfrentam barreiras menores na Europa.
A raiva dos agricultores centra-se numa quota: 99 mil toneladas. Este é o volume adicional de carne de vaca do Mercosul que entra na UE com apenas 7,5% de imposto, comparado com a tarifa normal de 40 a 45%. Os agricultores argumentam que a carne barata sul-americana prejudicará os produtores europeus, que seguem regras muito mais rigorosas.
Porém, a verdadeira controvérsia está em Luxemburgo. A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, invocou uma aplicação provisória sem esperar por uma votação completa do Parlamento Europeu.