Durante quase quatro meses, uma artéria crucial do comércio mundial esteve cortada. O encerramento do Estreito de Ormuz provocou ondas de choque na economia global, aumentando a inflação e causando escassez de combustível na Ásia. Mas no domingo, uma súbita descoberta diplomática ofereceu um caminho para sair da crise.
Os Estados Unidos e o Irão concordaram num acordo de paz provisório para acabar com o seu conflito devastador. A notícia não veio primeiro de Washington ou Teerão, mas de Islamabad. O Primeiro-Ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo governo atuou como mediador vital entre as duas nações, usou as redes sociais para anunciar a descoberta.
"Após conversações intensivas, temos o prazer de anunciar que o Acordo de Paz entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irão foi ALCANÇADO", declarou Sharif. O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Ishaq Dar, destacou a natureza colaborativa do esforço, creditando a Arábia Saudita, o Qatar e a Turquia por fornecerem o apoio diplomático essencial necessário para garantir o pacto.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, validou rapidamente o anúncio. "O Acordo com a República Islâmica do Irão está agora completo", declarou na sua plataforma Truth Social. Juntamente com o anúncio, Trump ordenou o fim imediato do bloqueio naval americano contra o Irão.
A pedra angular do acordo é a reabertura imediata do Estreito de Ormuz. Antes da guerra, esta estreita passagem entre o Irão e Omã movimentava cerca de um quarto do petróleo mundial transportado por via marítima e um quinto do seu gás natural liquefeito. O seu encerramento teve graves consequências globais, contribuindo para um pico na inflação anual dos EUA, que atingiu um máximo de três anos de 4,2% em maio.
O conflito eclodiu originalmente em 28 de fevereiro de 2026, quando ataques militares coordenados americanos e israelitas atingiram alvos iranianos. Esses ataques iniciais mataram o Líder Supremo do Irão, o Ayatollah Ali Khamenei, que governava o país desde 1989. O seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu o poder subsequentemente. Em retaliação pelos ataques, Teerão fechou o estreito vital e lançou ondas de drones e mísseis, mergulhando a região no caos. Um cessar-fogo anterior negociado pelo Paquistão em abril tinha colapsado rapidamente, tornando esta nova tentativa ainda mais crítica.
A nova estrutura fornece uma janela de 60 dias para negociações mais aprofundadas. O Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, observou que estas próximas conversações se concentrarão no alívio das sanções e nas atividades nucleares do Irão. O esforço diplomático, que envolveu 14 horas de discussões intensas facilitadas por intermediários cataris, culminará numa cerimónia oficial de assinatura. "A cerimónia oficial de assinatura será na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça", confirmou Sharif.
No entanto, a paz permanece muito precária. Embora o acordo preveja o fim dos combates em todas as frentes, incluindo o Líbano, os combates ali não pararam. No próprio dia em que o acordo foi anunciado, Israel lançou um ataque a um reduto do Hezbollah em Beirute, enquanto o Hezbollah disparou drones contra o norte de Israel.
O ataque israelita provocou uma forte repreensão pública de Trump. "O ataque desta manhã a Beirute não deveria ter acontecido, especialmente num dia especial em que estamos tão perto de um acordo de paz com o Irão", escreveu o presidente dos EUA, alertando todas as partes contra novas respostas militares.
A liderança israelita parece profundamente cética em relação ao acordo. O Ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, condenou o pacto como prejudicial aos interesses ocidentais. Entretanto, o Ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que as forças israelitas planeiam permanecer no sul do Líbano no futuro previsível. O Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu ainda não comentou publicamente, embora relatos indiquem que ele está a procurar uma reunião com Trump para abordar a situação.
Apesar da fricção regional, os líderes internacionais respiraram de alívio. Representantes do Japão e da Austrália elogiaram a descoberta, enquanto os líderes europeus expressaram esperança de renovada estabilidade económica. O Primeiro-Ministro britânico, Keir Starmer, saudou o pacto, afirmando: "A nossa prioridade é que isto se torne uma paz duradoura e sustentável, e trabalharemos com parceiros internacionais para apoiar isso". Ele também ofereceu assistência técnica, incluindo potenciais operações de desminagem na via marítima recém-aberta.
Enquanto os diplomatas se preparam para se reunir em Genebra, o mundo observa atentamente. A economia global precisa desesperadamente que o Estreito de Ormuz permaneça aberto, mas o verdadeiro teste será se uma frágil pausa de 60 dias pode transformar-se numa resolução duradoura.