Dezenas de milhares de cidadãos reuniram-se em Teerão, capital do Irão, para o funeral público do Ayatollah Ali Khamenei, Líder Supremo do país durante 37 anos. A multidão encheu uma rota de dez quilómetros no centro da cidade, expressando luto mas também exigindo vingança pela sua morte, ocorrida a 28 de fevereiro num bombardeamento coordenado pelos Estados Unidos e Israel. A atmosfera era de revolta, com muitos a demonstrarem fúria contra líderes ocidentais.
Os participantes ergueram cartazes com mensagens como "MATE TRUMP" e queimaram bandeiras dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. Cartazes mostravam rostos de políticos americanos e israelitas, como Donald Trump e Benjamin Netanyahu, com um alvo de sniper e a frase "Haverá sangue". Pessoas atiraram pedras contra um outdoor de Trump com o aviso "Os EUA mataram o nosso pai. Não vos deixaremos ir!".
O veículo que transportava o corpo do líder continha também quatro familiares que morreram no mesmo ataque: uma filha, um neto de 14 meses, um genro e a esposa do seu filho, Mojtaba Khamenei. Mojtaba, que foi selecionado como o novo Líder Supremo, desapareceu da vida pública desde o início do conflito, possivelmente devido a ferimentos graves sofridos no ataque. O atual Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o ex-Presidente Mahmoud Ahmadinejad estiveram presentes.
O funeral ocorre menos de três semanas após um acordo preliminar entre o Irão e os EUA para parar as hostilidades. As negociações para um cessar-fogo permanente, sanções económicas e o programa nuclear iraniano foram adiadas por uma semana. Israel, por sua vez, não pediu desculpas, com o Ministro da Defesa Israel Katz a afirmar que qualquer líder iraniano que tente destruir Israel enfrentará o mesmo destino. O corpo de Khamenei viajará para Qom, Najaf e Karbala antes de ser sepultado no Irão.