Cientistas na Antártida conseguiram extrair um longo cilindro de gelo com 2.800 metros de comprimento. Este gelo contém ar que foi respirado por antepassados humanos há mais de um milhão de anos. A equipa internacional trabalhou durante quatro anos e perfurou mais de 200 dias para conseguir este resultado. O local, chamado Little Dome C, fica a 3.200 metros de altitude e as temperaturas são muito baixas, em média -35 graus Celsius, mesmo no verão.
Encontrar o local certo foi difícil. O gelo precisava de ser suficientemente espesso para guardar um registo climático profundo, mas não tanto que o calor da Terra derretesse as camadas mais antigas. Este novo núcleo de gelo duplica o recorde anterior de dados climáticos contínuos, que era de 800.000 anos. Agora, os cientistas têm uma visão clara de 1,2 milhão de anos de história atmosférica.
O projeto, chamado Beyond EPICA, reuniu especialistas de dez países europeus. O gelo regista o passado porque a neve que cai e se comprime ao longo de milhares de anos aprisiona pequenas bolhas de ar. Ao analisar estas bolhas, os investigadores medem os níveis de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono. O coordenador do projeto, Carlo Barbante, ficou maravilhado ao ver cinzas vulcânicas e bolhas de ar num pedaço de gelo de um milhão de anos.
Os cientistas esperam compreender melhor uma mudança climática que ocorreu entre 900.000 e 1,25 milhões de anos atrás. Nessa altura, o ritmo das eras glaciais mudou de ciclos de 41.000 anos para ciclos de 100.000 anos. A equipa acredita que este registo pode ajudar a prever como o planeta reagirá ao aumento dos gases de efeito estufa no futuro. Os níveis atuais de dióxido de carbono na atmosfera são mais altos do que em qualquer momento registado neste núcleo de gelo.