Na Grande Sala do Povo, em Pequim, os dois homens mais poderosos do mundo sentaram-se para conversar. Quando saíram, dois dias depois, nem sequer conseguiram concordar sobre o que tinham dito um ao outro.
Esta foi a realidade estranha da cimeira que terminou em Pequim na sexta-feira. Donald Trump e Xi Jinping reuniram-se a 14 e 15 de maio, primeiro nas salas cerimónias usadas para as maiores ocasiões da China, depois no complexo mais calmo de Zhongnanhai, o antigo jardim imperial que serve como residência oficial de Xi. Ambos os líderes chamaram aos encontros "importantes". Xi descreveu-os como um "marco" importante. Trump disse aos jornalistas: "Fizemos negócios comerciais fantásticos para ambos os países."
Depois chegaram as declarações oficiais, e a diferença entre os dois governos ficou clara. A declaração americana afirmou que ambos concordaram que "o Irão nunca pode ter uma arma nuclear" e que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto. A versão chinesa não mencionou nenhuma destas questões. A Casa Branca falou sobre reduzir o fluxo de precursores de fentanilo. Pequim não mencionou isto.
Pequim usou a sua declaração para assegurar que o mundo ouvisse uma mensagem. "A questão de Taiwan é a mais importante nas relações entre China e EUA", disse Xi a Trump. Se fosse tratada corretamente, a relação seria estável. A declaração americana não mencionou Taiwan.
A entrega mais concreta foi de Boeing. Trump disse que a China concordou em comprar 200 aviões. Os analistas esperavam uma encomenda de cerca de 500. O preço das ações de Boeing caiu cerca de 4%.
O resultado principal foi um convite. Xi viajará para os Estados Unidos em setembro. Por enquanto, parece ser o maior sucesso da cimeira.