Na noite de terça-feira, o céu do Médio Oriente voltou a iluminar-se. Pelo décimo segundo dia consecutivo, as forças americanas lançaram munições contra locais militares iranianos. Desta vez, os Estados Unidos usaram uma arma poderosa: um bombardeiro de longo alcance B-1, que realizou o seu primeiro voo de combate desde o reinício das hostilidades. Este avião, capaz de transportar muitas bombas ou mísseis de cruzeiro, marcou uma nova e perigosa fase numa guerra que não mostra sinais de parar.
O bombardeamento concentrou-se em postos de observação costeira, redes de defesa aérea e locais de armazenamento de drones. O objetivo, segundo o Comando Central dos EUA, é reduzir a capacidade do Irão de ameaçar o transporte marítimo comercial. Para controlar os portos iranianos, as forças americanas já obrigaram nove navios mercantes a mudar de rota e desativaram completamente outro.
Os custos financeiros desta campanha são enormes. O Secretário da Defesa, Pete Hegseth, confirmou que os Estados Unidos já gastaram 37,5 mil milhões de dólares no conflito. Agora, o Pentágono pede mais 67 mil milhões de dólares para continuar as operações.
A retórica também está a aumentar rapidamente, tal como os orçamentos militares. O Presidente Donald Trump fez um aviso público sério. Ele declarou que, se as forças iranianas atacarem qualquer navio no Estreito de Ormuz, os militares americanos destruirão redes elétricas ou pontes no Irão, mencionando especificamente alvos na capital, Teerão. O Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Seyed Abbas Araghchi, respondeu rapidamente, prometendo que qualquer ataque à infraestrutura do seu país provocaria uma retaliação severa e decisiva.
Essa retaliação já está a acontecer na região, onde mais de 50.000 soldados americanos estão estacionados. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão anunciou uma série de ataques a instalações americanas na Jordânia e no Kuwait. No Kuwait, as forças iranianas afirmaram ter destruído uma bateria de mísseis Patriot e instalações de drones. Na Jordânia, relataram a destruição de um sistema de radar e incêndios em depósitos de combustível.
Análises independentes confirmam a dimensão da destruição. Imagens de satélite revistas pelo New York Times revelaram que, durante duas semanas, ataques iranianos danificaram alojamentos, sistemas de radar e áreas de trabalho em nove locais militares americanos diferentes. O número de vítimas também está a aumentar. No sudoeste do Irão, um ataque com mísseis perto da fronteira iraquiana causou duas mortes e onze feridos.
O caos está a espalhar-se para o Mar Vermelho. O grupo Houthi, do Iémen e apoiado pelo Irão, lançou mísseis e drones contra dois petroleiros sauditas, o Layla e o Encelia. O grupo afirma que as suas ações forçaram cerca de dez navios a abandonar as suas rotas. O Secretário de Estado, Marco Rubio, sugeriu que os Houthis foram manipulados por Teerão, pedindo-lhes que parassem.
A economia global sente os efeitos. Antes do conflito, o Estreito de Ormuz era por onde passava cerca de um quinto do petróleo e gás natural do mundo. Agora, os preços do petróleo Brent subiram para quase 97 dólares por barril. O Banco Mundial alertou que, se a violência continuar por mais seis meses, o crescimento económico global poderá cair para apenas 1,3% este ano.
Nos bastidores, um quebra-cabeças geopolítico mais sombrio está a surgir. Agências de inteligência americanas estão a investigar se a Rússia forneceu tecnologia avançada de drones ou coordenadas de alvos ao Irão para atacar postos da CIA. Duas dessas instalações de inteligência, na Arábia Saudita e no leste do Iraque, foram atingidas no início de março.
Apenas um mês atrás, um acordo de paz mediado pelo Paquistão ofereceu uma esperança. Esse acordo visava pausar os combates e iniciar conversações sobre segurança marítima e ambições nucleares. Em vez disso, o acordo falhou em julho, com acusações mútuas de traição. Agora, com bombardeiros no ar e milhares de milhões de dólares a serem gastos na guerra, a perspetiva de paz parece mais distante do que nunca.