Durante décadas, o cancro do pâncreas teve uma reputação terrível entre os oncologistas. Mais de 90% dos casos são causados por mutações num gene chamado RAS, o gene mais frequentemente afetado no cancro humano. Até agora, nenhum medicamento dirigido existia para estes doentes. Quando a quimioterapia deixava de funcionar, os doentes viviam cerca de seis meses.
Uma pequena pílula branca, tomada uma vez por dia, mudou esta realidade.
No ensaio global RASolute 302, doentes com cancro do pâncreas metastático previamente tratados que receberam o medicamento experimental daraxonrasib viveram uma mediana de 13,2 meses, comparado com 6,7 meses para quem recebeu quimioterapia padrão. O risco de morte foi 60% mais baixo para os doentes que tomaram o medicamento. Este resultado foi estatisticamente notável.
O daraxonrasib, desenvolvido pela empresa californiana Revolution Medicines, é o primeiro de uma nova classe de medicamentos. Funciona como uma "cola molecular", ligando uma proteína pequena ao RAS ativo e bloqueando o sinal de crescimento na sua origem. Afeta vários tipos de RAS, incluindo as variantes que dominam os tumores pancreáticos.
A Agência Americana de Medicamentos já concedeu ao daraxonrasib designações especiais e autorizou um programa de acesso expandido. A empresa está também a desenvolver novos ensaios clínicos. Para doentes medidos em meses, isto representa uma nova esperança.