Mais de 204 milhões de pessoas vivem em áreas sem acesso a serviços básicos, controladas por grupos armados, segundo o Comité Internacional da Cruz Vermelha. Estas pessoas estão presas em territórios onde as autoridades oficiais não chegam, num mundo que enfrenta um aumento dramático e mortal de conflitos. Atualmente, existem cerca de 130 confrontos armados em todo o mundo, mais do dobro do número de há quinze anos. Muitos destes conflitos são localizados, mas outros são de alta intensidade, com mais de 1.000 mortes em combate por ano.
O custo humano desta escalada é grave. Em 2024, as mortes de civis em combate aumentaram 40% em relação ao ano anterior. Organizações humanitárias alertam que as leis internacionais que protegem civis estão sob enorme pressão. Grupos em guerra interpretam as regras de forma flexível, deixando os cidadãos comuns a sofrer as consequências.
As regras tradicionais de guerra estão a mudar com o avanço da tecnologia. Drones, guerra digital e inteligência artificial alteraram as operações militares, tornando os combates mais letais e com maior alcance. As áreas com mais combates intensos são a Europa de Leste, o Médio Oriente e a região do Sahel em África. Na Europa, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia continua há quatro anos. No Médio Oriente, o conflito em Gaza persiste, apesar de um cessar-fogo instável. Tensões entre o Irão e Israel aumentaram, com ataques recíprocos que envolveram os Estados Unidos. O Iémen também vive uma guerra civil complexa.
Em África, o Sudão enfrenta um dos conflitos mais mortais, opondo as Forças Armadas Sudanesas às Forças de Apoio Rápido. Na República Democrática do Congo, a violência é constante nas províncias orientais. Na Ásia, a guerra civil em Myanmar continua após um golpe militar em 2021. As fronteiras entre o Paquistão e o Afeganistão tornaram-se mais perigosas, com incursões de militantes. A Índia e o Paquistão tiveram um confronto militar grave em 2026.
Além disso, pelo menos 20 conflitos armados já duram há mais de duas décadas, com gerações a nascer e a crescer sem conhecer a paz.