Imagine pagar uma taxa normal de cerca de 55.000 dólares para transportar a sua carga pelo mundo. Agora, imagine pagar 4 milhões de dólares apenas para evitar a fila de espera. Esta taxa extraordinária é a nova realidade no Canal do Panamá. A falta de chuva transformou a via navegável de 80 quilómetros que liga os oceanos Atlântico e Pacífico num gargalo caro. À medida que os níveis de água descem, a preocupação das companhias de navegação aumenta, levando a taxas astronómicas que, eventualmente, afetarão os consumidores. A causa da crise é a falta de chuva, agravada pelo fenómeno climático El Niño. Esta seca está a afetar o Lago Gatun, o reservatório de água doce essencial para o funcionamento das comportaduras do canal. Mover um único navio requer cerca de 200 milhões de litros de água doce. Sem chuva para reabastecer o lago, a Autoridade do Canal do Panamá foi forçada a reduzir o calado máximo permitido para os navios. O calado é a profundidade a que um navio fica na água. Estas restrições significam que os navios têm de transportar menos carga. Para transportar a mesma quantidade de mercadorias, são necessárias mais viagens. A fila de espera de navios já está a crescer. A isto junta-se a tensão em torno do Irão, que afeta as rotas de energia. Os importadores asiáticos estão a comprar mais petróleo da costa americana, e esses carregamentos têm de passar pelo Canal do Panamá, aumentando a pressão. Para evitar longas esperas, as companhias de navegação estão a usar um sistema de leilão para passagem rápida. Os preços dispararam para valores sem precedentes, com um navio a pagar 4 milhões de dólares para passar à frente. Estas despesas inesperadas serão repassadas aos consumidores. As autoridades do canal estão a tentar poupar água com várias medidas, mas a situação pode piorar, pois o El Niño pode tornar-se muito forte.