Durante aproximadamente vinte anos, cientistas perseguiram uma ideia radical: e se um medicamento não bloqueasse simplesmente uma proteína prejudicial, mas enganasse o corpo para a destruir completamente?
No dia 1 de maio de 2026, essa ideia finalmente conseguiu aprovação. A Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA aprovou o vepdegestrant, vendido sob a marca Veppanu, para adultos com uma forma avançada e difícil de tratar de cancro da mama. É o primeiro medicamento desta classe, conhecida como PROTAC, aprovado pela agência.
O medicamento foi desenvolvido pela Arvinas em colaboração com a Pfizer e ataca um inimigo específico: o cancro da mama metastático com receptor de estrogénio positivo. Ao contrário dos medicamentos convencionais que bloqueiam proteínas, os PROTACs funcionam de forma diferente. A molécula tem duas extremidades: uma agarra a proteína causadora do cancro e a outra recruta o sistema de eliminação de resíduos da célula, destruindo completamente a proteína.
No ensaio clínico VERITAC-2, pacientes que receberam vepdegestrant tiveram uma mediana de 5 meses antes do agravamento do cancro, comparado com 2,1 meses com o medicamento anterior. Os tumores encolheram em 19% dos pacientes com o novo fármaco.
Para a Arvinas, uma empresa de biotecnologia de New Haven fundada em 2013, este é o primeiro medicamento que comercializa com sucesso.