Se se colocar à margem de quase qualquer rio da Terra, a água parece igual a como sempre foi. Mas algo invisível está a mudar por baixo da superfície. Lentamente, quase em silêncio, as águas correntes do mundo estão a perder o oxigénio que as mantém vivas.
Esta é a conclusão de um novo estudo publicado a 15 de maio de 2026, na revista Science Advances. Os investigadores examinaram 21.439 trechos de rios em todo o globo, utilizando dados de quase quatro décadas, entre 1985 e 2023. O resultado foi surpreendente: 78,8% desses rios mostraram sinais de desoxigenação.
O oxigénio dissolvido é o gás que os peixes, insetos e outras criaturas aquáticas precisam para respirar. Águas mais quentes contêm menos oxigénio. Quando os níveis caem demasiado, a água torna-se "hipóxica" e o resultado pode ser morte de peixes e perda de biodiversidade.
Segundo o estudo, o principal culpado é o aquecimento do clima. O aumento de temperaturas significa que a água não consegue reter tanto oxigénio. Este fator explicou aproximadamente 63% da mudança observada.
Os piores efeitos aparecem nos trópicos, particularmente na Índia. O rio Ganges, um rio sagrado que fornece água a centenas de milhões de pessoas no norte da Índia, está a perder oxigénio mais de vinte vezes mais depressa do que a média mundial.
O estudo foi liderado pelo Professor Kun Shi do Instituto de Geografia e Limnologia de Nanjing. Os resultados mostram que até ao ano 2100, muitos rios podem perder cerca de 10% do seu oxigénio.