No ano 989, um jovem monge beneditino na Abadia de Malmesbury olhou para o céu e viu um objeto brilhante a atravessar o céu inglês. Ele nunca se esqueceu.
Setenta e sete anos depois, em 1066, o mesmo monge viu o mesmo tipo de luz regressar. E segundo uma nova investigação, Eilmer de Malmesbury fez algo notável: reconheceu-a. Compreendeu que o cometa da sua juventude e o cometa da sua velhice eram o mesmo objeto, regressando numa longa jornada pelos céus.
Se esta conclusão for correta, significa que Eilmer compreendeu a natureza periódica do cometa aproximadamente 600 anos antes do homem cujo nome ele agora carrega.
O cometa é, claro, 1P/Halley, o cometa mais famoso do céu. Halley era um astrónomo inglês que, estudando as aparições do cometa em 1531, 1607 e 1682, concluiu que era o mesmo objeto regressando a cada 76 anos. Halley previu que regressaria em 1758. Morreu em 1742, nunca sabendo que estava correto.
Mas um novo estudo, liderado pelo Professor Simon Portegies Zwart da Universidade de Leiden nos Países Baixos, argumenta que Halley não foi o primeiro a compreender o segredo do cometa. Essa honra, dizem os investigadores, pode pertencer a um monge medieval.
Os dois avistamentos de Eilmer distavam cerca de 77 anos. O período médio real do cometa é aproximadamente 76 anos. A coincidência é notável. A questão agora é: se um monge compreendeu a natureza do cometa 600 anos antes de Halley, deverá o cometa ainda ter o nome de Halley?