Na década de 1990, escavadores perto de Chichester, em West Sussex, encontraram um pequeno pedaço de osso triangular. Durante décadas, o objeto ficou guardado com outros materiais do sítio arqueológico de Boxgrove. Recentemente, cientistas analisaram-no mais de perto e descobriram que este objeto modesto é, na verdade, uma ferramenta com 500.000 anos, feita a partir dos restos de um elefante ou mamute.
De acordo com uma pesquisa publicada em 21 de janeiro de 2026, na revista Science Advances, esta descoberta é o mais antigo objeto de osso de elefante alguma vez identificado na Europa. O artefato mede cerca de 11 centímetros de comprimento e três de espessura, sendo feito da camada externa densa do osso. Embora o fragmento seja pequeno demais para determinar a espécie exata ou a parte do esqueleto, os investigadores sabem que pertencia a uma criatura pré-histórica enorme.
Usando análise microscópica e imagens tridimensionais, os cientistas encontraram pequenos pedaços de pedra incrustados no osso, juntamente com sulcos e marcas de impacto. Estas pistas revelaram o propósito do objeto: era um "retocador", usado por humanos primitivos para bater em machados de mão de pedra sem fio, removendo cuidadosamente pequenas lascas para criar um novo fio cortante.
O osso de elefante era ideal para este trabalho delicado. É muito resistente, mas ligeiramente mais macio que a pedra, permitindo aos artesãos antigos moldar as suas ferramentas com grande precisão. Os criadores desta ferramenta eram provavelmente Homo heidelbergensis ou antepassados dos Neandertais. O osso mostra sinais de ter sido moldado e usado enquanto ainda estava fresco, indicando que estes humanos primitivos compreendiam o material antes de este começar a decompor-se.
"Esta descoberta notável mostra a engenhosidade e os recursos dos nossos antepassados", disse Simon Parfitt, investigador principal do UCL Institute of Archaeology e do Natural History Museum em Londres. Eles possuíam um conhecimento profundo dos materiais locais e uma compreensão sofisticada de como criar ferramentas de pedra muito refinadas.
Encontrar restos de elefante no sul da Inglaterra desta época é invulgar, pois estes animais eram raros na região. A descoberta sugere que os habitantes antigos valorizavam o material e levaram-no intencionalmente para o local. A Dra. Silvia Bello, do Natural History Museum, observou que usar um material raro repetidamente para manter outras ferramentas revela pensamento abstrato complexo. Esta descoberta britânica reescreve a cronologia para a Europa, onde os exemplos mais antigos conhecidos tinham cerca de 450.000 anos.