Nas noites de quarta-feira, os residentes de Havana saíram para as ruas escuras e começaram a bater panelas. Em alguns bairros, incendiaram pilhas de lixo. O som ecoava por uma cidade onde, em certos locais, as luzes tinham estado apagadas até 22 horas por dia.
Horas antes, o Ministro da Energia e Minas, Vicente de la O Levy, tinha admitido algo que um governo raramente confessa publicamente: "Absolutamente não temos combustível, petróleo ou diesel. Não temos reservas."
Este anúncio de 13 de maio confirmou o que milhões de cubanos já sentiam. O ministro descreveu a rede nacional como "crítica". Na quarta-feira, o défice de energia tinha ultrapassado 1.100 megawatts, com perdas esperadas acima de 2.000 nos períodos de pico. Na quinta-feira de manhã, a rede sofreu um colapso parcial.
Cuba produz apenas 40% do combustível que precisa. Durante quase duas décadas, a Venezuela tinha fornecido o resto através de petróleo subsidiado. Esta ajuda terminou em janeiro quando uma operação militar americana removeu o Presidente Nicolás Maduro do poder.
O Presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva ameaçando tarifas para qualquer país que enviasse combustível a Cuba. A Rússia tentou enviar dois navios petroleiros, mas apenas um chegou à ilha.
O custo humano é elevado. As cirurgias hospitalares foram canceladas, o trabalho foi reduzido e os alimentos estragaram-se. Os Estados Unidos ofereceram aproximadamente 100 milhões de dólares em ajuda humanitária, mas através da Igreja Católica e organizações independentes, não do governo cubano.
O Presidente Miguel Díaz-Canel chamou à pressão um "bloqueio energético genocida", mas não rejeitou completamente a oferta.