Numa região do norte da Etiópia, ninguém votou. Tigray, o território afetado pela guerra que matou cerca de 600 mil pessoas, foi completamente excluído das eleições nacionais. As autoridades alegaram "condições desfavoráveis". Enquanto isso, 50,5 milhões de eleitores registados em todo o país foram convidados a escolher um novo parlamento a 1 de junho.
A Etiópia está a eleger todos os 547 lugares da Câmara dos Representantes do Povo, que determina quem governa a segunda nação mais populosa de África. Um partido precisa de 274 assentos para ter maioria. Quarenta e sete partidos concorreram. Mas a maioria dos observadores espera que os resultados favoreçam o mesmo homem que lidera o país desde 2018: o Primeiro-Ministro Abiy Ahmed.
Abiy, com 49 anos, não é um político comum. Em 2019, apenas um ano depois de começar, ganhou o Prémio Nobel da Paz. O seu Partido da Prosperidade deverá vencer de novo, mas é importante ser preciso: até ao início de junho, nenhum resultado oficial tinha sido anunciado. A contagem continuava e os resultados não eram esperados antes de cerca de 11 de junho.
A votação não decorreu sem problemas. Na região de Amhara, o movimento armado Fano perturbou o processo. Em Oromia, o Exército de Libertação Oromo fez o mesmo. Aproximadamente 143 locais de votação foram interrompidos no dia das eleições. Embora seja uma pequena fração de milhares de locais em todo o país, mostra a instabilidade profunda que tem afetado o governo de Abiy durante anos. Em Tigray, a região que sofreu mais com a guerra, o silêncio de quem não votou é o seu próprio resultado.