No campus principal da Universidade Sapienza de Roma, dois edifícios antigos do Departamento de Física ficam frente a frente através de um espaço aberto. Um é nomeado em honra de Marconi, o inventor do rádio. O outro em honra de Fermi, o pai da era atómica. No ano passado, entre eles, cientistas conseguiram fazer uma coisa que ambos os homens teriam reconhecido como o próximo capítulo do seu trabalho: teleportaram uma partícula de luz.
Não exatamente a partícula em si. A teletransportação quântica, proposta pela primeira vez em 1993, não move matéria ou energia. Transfere um estado quântico frágil de um lugar para outro utilizando um par entrelaçado pré-partilhado e uma mensagem clássica. Nada viaja mais rápido que a luz, mas a informação, a identidade quântica delicada do fotão, desaparece numa localização e reaparece noutra.
Uma equipa internacional liderada pela Universidade de Paderborn e Sapienza realizou a primeira teletransportação quântica bem-sucedida entre dois pontos quânticos semicondutores separados fisicamente e diferentes. O estado de polarização do fotão atravessou 270 metros de ar aberto entre os edifícios Marconi e Fermi, e chegou com uma fidelidade de 82 por cento. Este número é importante: qualquer coisa acima de aproximadamente 67 por cento não pode ser falsificada por meios clássicos. A experiência foi feita com sucesso, demonstrando que fontes de luz quântica baseadas em pontos quânticos semicondutores podem ser uma tecnologia chave para futuras redes de comunicação quântica.