Durante sessenta anos, a história da origem dos japoneses parecia clara: dois povos que se misturaram numa só nação. Os antigos Jomon, caçadores-recoletores que viveram nas ilhas durante milhares de anos, e os agricultores que migraram do continente. Agora, a ciência descobriu algo surpreendente.
Uma investigação publicada em Science Advances mostra que investigadores do RIKEN sequenciaram o genoma de mais de três mil pessoas de sete regiões diferentes do Japão, desde Hokkaido até Okinawa. Os resultados revelam uma terceira linhagem ancestral que ninguém tinha visto antes, escondida no ADN de milhões de pessoas vivas.
"A população japonesa não é tão geneticamente homogénea como todos pensam", disse Chikashi Terao, o investigador principal do estudo.
Este terceiro grupo vem do nordeste da Ásia e concentra-se principalmente no nordeste do Japão. Os investigadores relacionam-no com os Emishi, um povo descrito em antigas crónicas japonesas que viveu nas florestas de Tohoku durante séculos.
O estudo também descobriu que 44 sequências de ADN herdadas de ancestrais humanos antigos, como Neandertais e Denisovanos, permanecem ativas nos genomas japoneses modernos. Algumas destas sequências estão ligadas a doenças como a diabetes tipo 2, a doença cardíaca coronária e a artrite reumatoide. Uma variante Denisovana afeta até como os doentes respondem ao medicamento semaglutida.
A imagem do passado é agora mais complexa e interessante.