Num jardim botânico no sudoeste de Londres, no final de maio, um termómetro subiu a um número que não deveria ser possível. No Kew Gardens, a temperatura atingiu 35,1°C, o dia mais quente de maio que a Grã-Bretanha já registou, quebrando o recorde anterior por mais de dois graus. Este recorde anterior, 32,8°C, tinha sido estabelecido em 1944. Caiu duas vezes em dois dias.
A causa foi uma "onda de calor": uma vasta área de alta pressão que se instalou sobre a Europa Ocidental. Arrastou uma massa de ar quente de África e aprisionou-a, bloqueando o tempo mais fresco e húmido que normalmente chega. Em toda a Europa Ocidental, as temperaturas foram 10 a 15°C acima do normal.
Recordes caíram em ondas. Em França, registaram-se recordes de temperatura em 352 estações meteorológicas. Itália emitiu avisos de calor para cerca de quinze cidades. Espanha preparava-se para leituras perto de 39°C.
Mas o mais importante era o significado. O climatologista francês Christophe Cassou afirmou que isto era "um evento sem precedentes com uma probabilidade de uma em mil".
O calor foi também mortal. França registou pelo menos sete mortes relacionadas com o calor. No Reino Unido, cerca de onze pessoas morreram em incidentes relacionados com água durante a onda de calor, a maioria crianças. Incêndios de relva explodiram em várias regiões. Em Kent, o abastecimento de água foi afetado em aproximadamente 18 mil propriedades.
Europa está a aquecer cerca de duas vezes mais rápido do que a média global. Este recorde pode não durar muito tempo.