No coração da Amazónia brasileira, um pequeno grupo de pessoas vive isolado do mundo moderno. São os Kawahiva, uma comunidade indígena com cerca de 35 a 50 indivíduos que vivem na floresta. Eles têm sobrevivido evitando o contacto com o mundo exterior. Agora, o governo brasileiro completou a demarcação física do Território Kawahiva do Rio Pardo, uma área que visa protegê-los.
Esta demarcação, concluída em agosto de 2026, marca o fim de um processo burocrático que começou em 1999, quando o governo confirmou a existência do grupo. A nova área protegida tem cerca de 411.000 hectares no estado de Mato Grosso, uma região conhecida pela desflorestação devido à pecuária, exploração madeireira ilegal e mineração.
A instalação das marcas de fronteira foi difícil. Devido a conflitos de terra e violência de colonos ilegais, a Força Nacional de Segurança teve de escoltar as equipas. Especialistas da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e da Universidade Federal de Minas Gerais trabalharam juntos para colocar os marcos ao longo das fronteiras do território.
Jair Candor, um oficial da FUNAI que liderou a operação, dedicou mais de 25 anos a proteger os Kawahiva. Ele expressou a sua satisfação por ver esta terra protegida antes da sua reforma. "Não ganhámos a guerra, mas ganhámos uma batalha", disse ele.
O processo enfrentou atrasos políticos significativos, especialmente devido à pressão de interesses agrícolas e madeireiros. A demarcação física foi adiada por dez anos, apesar do reconhecimento legal do território em 2016. A construção de uma nova estrada perto da área também representa uma ameaça.
A conclusão apressada da demarcação, iniciada em maio de 2026, foi motivada pelas eleições presidenciais de outubro de 2026 no Brasil. Havia o receio de que uma mudança de governo pudesse reverter as proteções. A FUNAI planeia usar este projeto como modelo para proteger outras comunidades isoladas.
No entanto, a proteção física não é suficiente. A FUNAI e grupos de defesa alertam que patrulhas constantes serão necessárias para evitar a exploração de recursos e a ocupação ilegal. O território ainda aguarda a assinatura final do presidente brasileiro para obter proteção legal completa. A organização Survival International destacou a urgência desta etapa final, lembrando as ameaças que os Kawahiva enfrentaram ao longo das décadas.