Há quatro mil milhões de anos, a Terra era atingida por rochas espaciais com uma frequência 100.000 vezes maior do que hoje. Estas colisões violentas podem ter sido cruciais para o aparecimento da vida. Normalmente, pensamos nos asteroides como destruidores, mas novas simulações sugerem que eles também podem ter sido criadores.
Quando os asteroides chocavam com a Terra jovem, eles criavam redes subterrâneas de água quente. Estes ambientes quentes e escondidos podem ter sido os locais perfeitos para os primeiros organismos vivos. A investigação, publicada na revista AGU Advances, analisa os períodos Hadeano e Arqueano, desde a formação do planeta até há cerca de 2,5 mil milhões de anos.
O impacto de uma rocha espacial criava espaços vazios no solo, permitindo que líquidos e vapores circulassem. O calor da colisão, misturado com o calor interno da Terra, criava fontes termais. Estas fontes termais, em escala planetária, poderiam ter durado milhares de anos, tempo suficiente para que ingredientes químicos se combinassem e formassem moléculas complexas necessárias para a vida.
Cientistas do Southwest Research Institute usaram software avançado para calcular como os impactos tornavam a crosta terrestre porosa. Eles estimam que os primeiros 8 quilómetros da crosta terrestre ficaram muito porosos há cerca de 4,3 mil milhões de anos. Estes ambientes quentes e húmidos não eram raros, cobrindo grandes áreas do planeta. "Embora muitas vezes considerados catastróficos, como na extinção dos dinossauros, o bombardeamento de impactos foi provavelmente crítico para a criação de ambientes para a química pré-biótica", disse Amanda Alexander, analista sénior de investigação. As mesmas rochas que trouxeram destruição também abriram a Terra, permitindo que a água quente fluísse e, eventualmente, a vida começasse.