Nove dias antes da abertura da exposição de arte mais prestigiosa do mundo, o júri internacional encarregado de escolher os vencedores demitiu-se. No dia 30 de abril, os cinco membros do júri da 61ª Bienal de Veneza resignaram juntos, provocando uma das crises mais dramáticas na história desta instituição com 130 anos. No dia seguinte, a Fundação Bienal aboliu os famosos prémios Leão de Ouro e Leão de Prata e criou dois novos prémios, os "Leões dos Visitantes", que serão decididos por votação pública.
O conflito começou quando os cinco jurados publicaram uma declaração no dia 22 de abril. Afirmaram que não considerariam países cujos líderes eram acusados de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional. Embora não nomeassem países, a declaração visava a Rússia e Israel, ambas presentes este ano em Veneza. A Fundação Bienal recusou honrar esta posição, e os jurados resignaram em resposta.
Os jurados eram figuras importantes: Solange Oliveira Farkas do Brasil, Zoe Butt do Vietnã, Elvira Dyangani Ose, Marta Kuzma e Giovanna Zapperi de Itália. A resposta da Fundação foi radical: o sistema de prémios baseado em especialistas foi abolido. Agora, apenas os visitantes que comprem bilhete e visitem ambos os locais principais podem votar. É a primeira vez na história da Bienal que o público escolhe os vencedores. A cerimónia de prémios foi adiada de maio para novembro, o último dia da exposição. A 61ª Bienal de Arte abrirá no dia 9 de maio e fechará no dia 22 de novembro.