Nas profundezas da floresta de Batang Toru, em Sumatra, uma tragédia ocorreu em novembro de 2025. O ciclone Senyar trouxe chuvas torrenciais, causando inundações e deslizamentos. Além das vítimas humanas, o evento afetou gravemente o orangotango de Tapanuli, o grande primata mais raro do mundo. Cerca de 58 orangotangos de Tapanuli morreram, representando 7% da sua população total, que é inferior a 800 indivíduos. Reconhecida como espécie distinta em 2017, esta espécie está agora em perigo de extinção. Perder mais de 1% da população anualmente pode levar à extinção. "Para evitar a primeira extinção moderna de um grande primate, a Indonésia deve proteger permanentemente o ecossistema de Batang Toru", alertou Jatna Supriatna, professor da Universitas Indonesia. A destruição do seu habitat, agravada pelo aquecimento global que intensificou as chuvas, e projetos industriais como uma mina de ouro e uma central hidroelétrica, colocam em risco a sobrevivência destes animais. Este desastre é um sintoma de uma crise global que afeta desproporcionalmente as crianças. Um relatório da UNICEF de 2026 indica que 1,1 mil milhões de crianças enfrentam pelo menos três perigos climáticos simultaneamente, como secas, ondas de calor e temperaturas extremas. As consequências incluem a interrupção da educação e um aumento de doenças e mortalidade ligadas às alterações climáticas, especialmente em países como Somália e Madagáscar. O aquecimento dos oceanos, impulsionado pelo El Niño e temperaturas recorde em 2026, está a afetar sistemas vitais, como a Corrente do Golfo. A perda de dados climáticos devido ao desmantelamento de redes de sensores, como a Ocean Observatories Initiative, agrava a situação. A história dos orangotangos e das crianças em risco conta a mesma história: o planeta está a mudar rapidamente e a janela para proteger os mais vulneráveis está a fechar-se.