Na quinta-feira de manhã em Seul, o presidente da maior fabricante mundial de chips de memória saiu do Centro de Aviação Executiva de Gimpo, enfrentou uma multidão de câmaras, e fez uma reverência. O pedido de desculpas público de Lee Jae-yong em 16 de maio foi um gesto notável do homem que dirige a Samsung. Três dias depois, a situação permanece tensa. Segundo fontes de notícias, as conversas finais de mediação colapsaram, e aproximadamente 47 mil trabalhadores sindicalizados preparam-se para deixar o trabalho na quinta-feira, 21 de maio, na maior paragem laboral da história da Samsung e da indústria de semicondutores.
A greve está marcada para durar 18 dias, até 7 de junho. Em jogo está não apenas o lucro da Samsung, mas também o fornecimento constante de componentes de silício de que a indústria mundial de inteligência artificial depende. A Samsung fabrica HBM, a memória DRAM empilhada que funciona junto aos aceleradores de IA construídos por empresas como a NVIDIA. A Samsung controla cerca de um terço do mercado global de DRAM, e apenas três empresas no mundo, Samsung, SK Hynix e Micron, fornecem HBM em larga escala. Uma pausa de 18 dias nas complexas fábricas da Samsung em Pyeongtaek, Hwaseong e Giheung teria consequências rápidas no mercado global.
O sindicato quer que a empresa elimine uma regra que limita bónus anuais a 50% do salário base. Pretende que 15% do lucro operacional da Samsung seja dedicado a bónus, escrito em contratos permanentes. A Samsung propôs aproximadamente 10% do lucro operacional, mantendo o limite de 50%. Está em causa quem receberá mais benefícios nestes tempos de crescimento da tecnologia.