Em todo o mundo, aproximadamente 2,2 mil milhões de pessoas não conseguem aceder a água potável segura de forma fiável. O oceano está ali, cheio de água, mas não é potável. Remover o sal sempre teve um custo: enormes quantidades de energia e um resíduo espesso e salgado chamado salmoura que pode envenenar o mar quando é devolvido.
Uma equipa da Universidade de Rochester diz ter encontrado uma solução para ambos os problemas. O truque começa com um laser e uma folha de metal negro.
Pesquisadores do laboratório do professor Chunlei Guo desenvolveram um sistema de dessalinização alimentado por energia solar que transforma água do mar em água fresca, sem deixar nenhuma salmoura líquida. Em vez disso, recupera quase 100 por cento dos sais dissolvidos como material sólido. O trabalho foi publicado a 27 de maio de 2026 na revista Light: Science & Applications.
O coração do dispositivo é um painel de metal gravado com lasers de femtossegundos, pulsos ultrarrápidos que remodelam a superfície numa escala microscópica. O painel está dividido em duas regiões. Na zona ativa, a luz solar aquece uma fina película de água do mar e evapora-a, deixando vapor fresco para ser recolhido. À medida que a água desaparece, os sais deixados atrás não se acumulam. Em vez disso, o sistema move continuamente o sal cristalizado para uma zona passiva separada.
Em um estudo complementar, os investigadores adaptaram a mesma superfície de metal negro para extrair um elemento valioso: o lítio. O lítio é o metal no centro das baterias recarregáveis que alimentam carros elétricos, telefones e a rede elétrica. O novo método utiliza nanopartículas de titanato de hidrogénio incorporadas nos sulcos da superfície.