Nas terras altas do leste de Angola existe uma paisagem isolada, o Planalto do Lisima. Durante décadas, este local não foi explorado cientificamente devido a um conflito civil que ocorreu entre os anos 1970 e 2002. A guerra deixou a área com muitas munições não explodidas, o que tornou o acesso perigoso e manteve a região isolada. No entanto, este isolamento ajudou a proteger uma grande riqueza biológica.
Em fevereiro de 2026, uma equipa de dezasseis especialistas de vários países visitou esta área remota. A expedição, organizada pelo The Wilderness Project, tinha como objetivo documentar a vida selvagem da Província de Moxico. Para se moverem em segurança, os cientistas contaram com a ajuda do The HALO Trust, uma organização humanitária que limpou os caminhos de minas. A Fundação Lisima deu apoio logístico e financeiro.
Os cientistas encontraram espécies incríveis. Exploraram florestas e riachos e viram animais que pareciam saídos de um conto de fadas. Algumas aranhas brilhavam com uma luz azul forte quando expostas à luz ultravioleta. Descobriram também uma aranha-de-cruzada vermelha e laranja que se parecia com uma joaninha. Encontraram também besouros do tamanho de uma mão e um inseto predador com uma armadura.
O número de novas espécies foi surpreendente. Catalogaram oito espécies de libélulas e três de gafanhotos nunca antes descritas pela ciência. Além disso, encontraram uma lagarta desconhecida e a sua borboleta. No total, a equipa viu mais de mil borboletas e mariposas. Análises iniciais sugerem que cerca de sessenta espécies de mariposas podem ser novas para a ciência.
O Dr. Piotr Naskrecki, diretor de um laboratório de biodiversidade em Moçambique, ficou surpreendido com o número de insetos novos, sugerindo que muitos são únicos desta região.
A equipa também documentou quarenta e sete tipos de anfíbios e répteis, incluindo cobras perigosas como a víbora-de-chifres e a cobra-de-Anchieta. Os botânicos recolheram mais de 320 amostras de plantas.
O Planalto do Lisima é muito importante para a água em África, fornecendo água a quatro grandes bacias hidrográficas africanas. A água que vem desta área chega até ao Delta do Okavango, na Botsuana, um local Património Mundial da UNESCO.
O Dr. Klaas-Douwe B. Dijkstra, especialista em libélulas, disse que a água do planalto é muito pura e que isso se reflete nas libélulas locais, algumas das quais só existem ali. A equipa encontrou 103 espécies de libélulas, adicionando 34 aos registos da região e seis ao inventário nacional de Angola.
No entanto, o planalto enfrenta ameaças como a extração de diamantes, a exploração madeireira e o crescimento da população. As práticas agrícolas que usam fogo também causam problemas, como erosão e poluição da água.
Rob Taylor, líder da expedição, alertou que proteger esta área é essencial para garantir a resiliência ecológica e o sustento de muitas pessoas a jusante. Para os cientistas locais, como a bióloga Laurinda Mandela de Fraga, o trabalho foi uma oportunidade de deixar um legado e reforçar a responsabilidade de proteger esta área única para as futuras gerações de angolanos.