Dentro de uma câmara de vácuo na Universidade de Viena, um pequeno pedaço de metal fez algo que não deveria conseguir fazer.
O pedaço, um aglomerado minúsculo de sódio contendo entre 5.000 e 10.000 átomos, foi enviado através de um túnel de luz laser. Durante aproximadamente um centésimo de segundo, existiu em dois lugares ao mesmo tempo.
Este momento fugaz, publicado na revista Nature, é a maior violação do senso comum já realizada num laboratório de física. A equipa, uma colaboração entre físicos da Universidade de Viena e da Universidade de Duisburg-Essen, colocou um pedaço de metal mais pesado do que a maioria das proteínas num estado de superposição quântica, inspirado no famoso experimento mental de Erwin Schrödinger sobre um gato simultaneamente vivo e morto.
O aglomerado tinha aproximadamente 8 nanómetros de largura, semelhante aos transístores num microchip moderno. Segundo a mecânica quântica, objetos desta dimensão deveriam comportar-se como matéria ordinária, num único lugar.
Mas este não se comportou assim.
O experimento utilizou um novo instrumento chamado MUSCLE, que usa três redes de difração feitas inteiramente de luz laser ultravioleta. Quando o aglomerado de sódio passa através, a sua onda quântica divide-se, viaja por múltiplos caminhos e recombina-se.
O investigador principal é Sebastian Pedalino, orientado por Markus Arndt. A equipa mediu um valor de macroscopicidade de 15,5, aproximadamente dez vezes superior ao recorde anterior. Este resultado sugere que o universo ainda não estabeleceu um limite para a dimensão dos objetos que podem existir em superposição quântica.