Em 19 de outubro de 2024, tiros em Maputo tiraram a vida de Elvino Dias, advogado do líder da oposição Venâncio Mondlane. Ele morreu ao lado de Paulo Guambe, do partido Podemos, num assassinato que marcou uma nova fase de repressão política.
Desde as eleições de outubro de 2024, que foram muito contestadas e levaram a protestos, mais de 400 pessoas ligadas ao movimento de Mondlane foram agredidas e pelo menos 55 foram mortas. Uma investigação jornalística chamada "Mozambique Exposed", com cerca de trinta jornalistas de doze meios de comunicação, durou cinco meses.
As descobertas apontam para o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic). Embora oficialmente a sua função seja investigar crimes, ativistas dizem que ele é usado para controlo político pelo partido Frelimo, que governa desde 1975. "O Sernic é o braço armado do regime", disse Borges Nhamirre, do Instituto de Estudos de Segurança.
A agência usa a monitorização de telecomunicações, pois as três operadoras de telemóvel têm ligações ao Estado ou ao partido. A proteção de dados é fraca, levando as pessoas a usar aplicações como WhatsApp ou Signal.
Além da tecnologia, existe uma rede de informadores. Chefes de quarteirão, muitas vezes membros da Frelimo, vigiam as suas comunidades e passam informações à polícia.
O jornalista Arlindo Chissale, editor do Pinnacle News, foi levado por homens que pareciam ser polícias em janeiro de 2025 e continua desaparecido. A violência também ocorre noutras províncias, como Zambézia, onde o organizador do Podemos, Eugénio Raúl Madeira, foi alvo de atiradores.
Casos antigos, como o do empresário Américo Sebastião em 2016, também mostram a falta de investigação. Um suspeito ligado ao Sernic foi identificado, mas o caso foi arquivado.
Uma avaliação de 2025 pela Human Rights Watch concluiu que as instituições falharam em investigar os assassinatos pós-eleitorais. O governo também proibiu a cobertura da imprensa sobre o conflito em Cabo Delgado. Com vários trabalhadores da comunicação social mortos ou envenenados, a mensagem para os críticos é clara: o silêncio tornou-se uma questão de sobrevivência.