No dia 24 de junho, a terra tremeu violentamente na Venezuela. Um forte sismo de magnitude 7.2 abalou o país, seguido 40 segundos depois por outro de magnitude 7.5. Estes breves e assustadores momentos deixaram um rasto de destruição. Desde então, mais de 1.100 réplicas mantiveram as comunidades em constante medo.
O número de vítimas mortais dos dois terramotos atingiu 3.889, anunciou Jorge Rodriguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela. Mais de 16.700 pessoas ficaram feridas e quase 18.000 tiveram de abandonar as suas casas destruídas. A zona costeira de La Guaira, a norte da capital Caracas, foi a mais afetada, com 190 edifícios completamente destruídos e centenas com danos graves.
Uma grande equipa de resgate, composta por trabalhadores locais, voluntários civis e especialistas internacionais, trabalhou incansavelmente. Conseguiram salvar mais de 6.400 pessoas dos escombros. Foram distribuídos milhões de litros de água potável e toneladas de alimentos. Foram criados 89 abrigos temporários para mais de 86.000 famílias.
No entanto, uma nova ameaça está a surgir. A Organização Pan-Americana da Saúde alertou para o risco de doenças, devido à falta de água potável e às instalações médicas danificadas. Jarbas Barbosa, diretor da organização, avisou que os maiores riscos de saúde podem vir de interrupções nos serviços de saúde e más condições sanitárias. Já se regista um aumento de doenças gastrointestinais e infeções de pele.
Esta emergência agrava uma crise económica que já tinha enfraquecido o sistema de saúde venezuelano. Muitos sobreviventes procuram agora não só tratamento para ferimentos, mas também medicamentos para doenças crónicas como diabetes e hipertensão. O chefe de ajuda da ONU pediu cerca de 300 milhões de dólares em ajuda internacional para apoiar as pessoas necessitadas.