A três quilómetros de profundidade, sob as florestas do nordeste de Ontário, numa mina onde geólogos encontraram a água mais antiga da Terra, a própria rocha está a expirar.
Durante mais de uma década, geoquímicos desceram os seus instrumentos nos túneis profundos da mina Kidd Creek perto de Timmins e esperaram.
O que capturaram foi um gás que escapa continuamente de pedra tão antiga que predata quase todas as formas de vida: hidrogénio.
Não hidrogénio fabricado numa fábrica, mas hidrogénio nascido dentro do planeta, produzido quando a água reage lentamente com minerais ricos em ferro ao longo de períodos inimagináveis.
Os resultados, publicados a 18 de maio na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, marcam a primeira medição direta e de longo prazo do "hidrogénio branco" natural que flui do núcleo antigo do continente, segundo a Universidade de Toronto.
O trabalho foi dirigido por Barbara Sherwood Lollar, professora na Faculdade de Ciências da Terra da Universidade de Toronto.
Cada furo individual liberta em média apenas oito quilogramas de hidrogénio por ano.
Mas a mina Kidd Creek tem aproximadamente 15 mil furos, perfurados ao longo de décadas de mineração de cobre, zinco e prata.
No total, a mina descarrega mais de 140 toneladas de hidrogénio anualmente, o suficiente para satisfazer as necessidades de mais de 400 casas.
A descoberta é importante porque mostra que a Terra produz continuamente este combustível limpo, sem necessidade de processos industriais poluentes como acontece com o hidrogénio convencional.