Numa tarde de setembro de 1976, uma bomba destruiu um carro perto de Sheridan Circle, em Washington D.C. O atentado matou Orlando Letelier, um exilado chileno, e Ronni Karpen Moffitt, uma americana de 25 anos. Quase cinquenta anos depois, um tribunal em Santiago condenou três ex-agentes da polícia secreta chilena a 15 anos de prisão pela morte de Moffitt. Os condenados, Pedro Octavio Espinoza Bravo, José Octavio Zara Holger e Raúl Eduardo Iturriaga Neumann, foram considerados culpados de homicídio qualificado. Na altura da decisão, Espinoza e Iturriaga já cumpriam pena por outros crimes. Zara tinha sido libertado em agosto de 2025, mas foi detido novamente. O assassinato em 1976 foi uma missão da DINA, a agência de inteligência chilena sob o General Augusto Pinochet. Letelier, que criticava o regime de Pinochet, era o alvo principal. A DINA operava no âmbito da Operação Condor, uma campanha de ditaduras sul-americanas apoiada pelos Estados Unidos, que resultou em cerca de 60.000 mortes. Michael Townley, um agente americano da DINA, construiu a bomba. Outros agentes receberam treino nos EUA. Documentos indicam que o governo dos EUA sabia destes planos. A sentença de 15 anos aplica-se especificamente à morte de Moffitt. Em 2012, um tribunal chileno decidiu que o seu caso exigia um processo próprio. Em 1993, o diretor da DINA e Espinoza já tinham sido condenados pelo assassinato de Letelier. Para as famílias, a justiça é agridoce. Rebecca Karpen, sobrinha de Moffitt, disse que a sentença chegou tarde demais para muitos familiares. No entanto, a decisão é uma vitória contra a impunidade, honrando o trabalho do Institute for Policy Studies na busca por justiça.