Durante cerca de 80 anos, uma pergunta pairava sobre as garrafas de mezcal: o que era aquele verme pálido e enrugado no fundo?
Por décadas, bebedores, produtores e até cientistas ofereceram respostas diferentes. Três insetos diferentes foram nomeados: a borboleta gigante do tequila, o gorgulho da agave e uma traça chamada Comadia redtenbacheri. Ninguém tinha verificado.
Uma equipa de cientistas liderada por Akito Kawahara, do Museu da Flórida, decidiu descobrir a verdade. Compraram 21 garrafas de mezcal comercial entre 2018 e 2022 e viajaram para Oaxaca para obter mais garrafas diretamente das destilarias. Depois retiraram os vermes e analisaram o seu DNA.
O resultado foi claro: todos os espécimes pertenciam à mesma espécie, Comadia redtenbacheri, a traça vermelha da agave. Os cientistas sequenciaram DNA de 18 larvas usando o gene mitocondrial COI.
A equipa também resolveu outro mistério. Algumas garrafas contêm um verme branco fantasmagórico. Este verme pálido não é uma criatura diferente, mas o mesmo verme vermelho que perdeu a sua cor depois de anos mergulhado em álcool.
No México, a larva é comida como iguaria regional e usada para fazer sal de gusano. A tradição de colocar a larva na garrafa é recente, começando por volta de 1940. Hoje, porém, há um problema: a procura crescente de mezcal ameaça as populações selvagens de Comadia redtenbacheri.