Durante vinte anos, os astrónomos perguntaram-se se mundos rochosos a orbitar estrelas distantes poderiam reter o seu ar. Agora, finalmente têm uma resposta. Investigadores confirmaram a primeira atmosfera à volta de um planeta rochoso numa zona habitável de uma estrela. O mundo, conhecido como LHS 1140 b, fica a cerca de cinquenta anos-luz da Terra, na constelação de Cetus. De acordo com um estudo publicado na revista Science em 16 de julho de 2026, o planeta está a libertar uma enorme quantidade de hélio para o espaço.
Collin Cherubim, investigador da Universidade de Harvard, explicou que uma atmosfera é um requisito fundamental para um planeta suportar vida. "Esta é a primeira vez que alguém encontra uma atmosfera num planeta rochoso na zona habitável de outra estrela", disse Cherubim.
O planeta LHS 1140 b é cerca de 5,6 vezes mais pesado que a Terra e quase duas vezes mais largo. Completa uma órbita a cada 24,7 dias à volta de uma estrela anã vermelha antiga e calma. O planeta está a uma distância onde a energia estelar poderia permitir água líquida na sua superfície.
Para encontrar esta atmosfera, a equipa usou o espectrógrafo WINERED em setembro de 2024. Este aparelho analisa a luz com grande precisão. A equipa detetou átomos de hélio que absorviam frequências infravermelhas específicas. A radiação da estrela aquece a atmosfera superior do planeta, empurrando o hélio para longe a uma taxa de cerca de 220 toneladas por segundo. No entanto, o planeta não ficará sem ar tão cedo, pois manteve a sua atmosfera durante mais de três mil milhões de anos.
Modelos de computador sugerem que, embora o hélio domine a camada superior, substâncias mais pesadas como dióxido de carbono e água podem existir nas camadas mais profundas. O planeta pode ser rico em água, contendo até 19% de água em massa. A sua temperatura é de cerca de 226 Kelvin, o que o coloca na zona onde as condições de vida são possíveis.
Jason Dittmann, que liderou a equipa que descobriu o planeta em 2017, destacou a importância desta descoberta. "Este planeta tornou-se agora o melhor lugar para procurar vida fora do nosso sistema solar", disse Cherubim.