Os Emirados Árabes Unidos anunciaram na terça-feira que estavam a sair da OPEP após quase seis décadas. A notícia não foi comunicada previamente à Arábia Saudita nem aos outros vizinhos do Golfo. O cartel que influenciou o preço do petróleo desde os anos 1960 soube da decisão da mesma forma que o resto do mundo, através de um comunicado da agência de notícias oficial dos EAU.
A saída, efetiva a 1 de maio, termina uma relação que começou em 1967, quando Abu Dhabi aderiu à OPEP. Os EAU são o terceiro maior produtor do grupo, atrás apenas da Arábia Saudita e do Iraque. A decisão chega num momento difícil, pois uma guerra envolvendo o Irão fechou o Estreito de Ormuz, um canal importante para o transporte de petróleo.
Os EAU justificaram a saída com razões estratégicas de longo prazo. Suhail Mohamed al-Mazrouei, Ministro da Energia e Infraestruturas, descreveu-a como uma decisão de política comum. A empresa estatal ADNOC pretende atingir uma capacidade de 5 milhões de barris por dia em 2027, meta que conflitua com o sistema de quotas da OPEP.
Para a OPEP, esta perda é significativa. Os EAU têm uma capacidade de 4,8 milhões de barris por dia. Os membros restantes incluem Argélia, República do Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Irão, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Arábia Saudita e Venezuela. Os EAU já prepararam uma economia para além do petróleo, com sectores não-petrolíferos a representarem 75% do PIB.