Ninguém o viu. Nenhuma câmara capturou o seu movimento nas profundezas. Nenhuma rede o puxou do fundo do mar. E no entanto, os cientistas sabem agora que uma lula gigante, a criatura das lendas dos marinheiros antigos, estava a nadar recentemente nos cânions submarinos da Austrália Ocidental.
Os investigadores descobriram-na na própria água. Uma equipa liderada pela Universidade de Curtin em Perth detetou o primeiro registo de uma lula gigante (Architeuthis dux) na Austrália Ocidental usando ADN ambiental. Este método não requer ver ou capturar nada. Os animais libertam constantemente pequenos fragmentos de si mesmos no mar, na pele, no muco e nos resíduos. Ao filtrar e analisar uma amostra de água do mar, os investigadores conseguem identificar que espécies passaram recentemente por ali.
A lula gigante é um dos maiores invertebrados do planeta, com comprimentos de aproximadamente 10 a 13 metros e olhos tão largos como 30 centímetros. Vive em grandes profundezas e quase nunca é vista viva. Na Austrália Ocidental não havia registos há mais de 25 anos.
Esta vez, o seu ADN apareceu em seis amostras de água diferentes em dois cânions submarinos. O estudo detetou 226 espécies no total, incluindo criaturas raras. Muitas das sequências de ADN encontradas não correspondiam a nada atualmente registado, sugerindo vasta vida marinha ainda não descrita pela ciência.