A proteção constrói-se lentamente, quase invisivelmente. Durante meses e anos, um tipo de medicamento remodela silenciosamente a relação do corpo com o seu próprio coração. E depois, para centenas de milhares de pessoas, desaparece.
Dois novos estudos mostram claramente o que os medicamentos GLP-1 (a família que inclui Ozempic e Wegovy) fazem pelo coração humano, e o que acontece quando os doentes deixam de os tomar. A primeira notícia é boa. A segunda é um aviso.
A notícia positiva veio do Reino Unido. Uma análise importante da Universidade Anglia Ruskin reuniu dados de mais de 90 mil participantes em 11 ensaios clínicos internacionais. Os medicamentos GLP-1 reduziram eventos cardiovasculares graves em cerca de 13% comparado com um placebo. Os doentes também tiveram menos enfartes, menos acidentes vasculares cerebrais e menos hospitalizações.
Mas o que acontece quando se para? Um estudo diferente da Universidade de Washington em St. Louis respondeu a esta pergunta. Os investigadores analisaram 333 mil veteranos militares americanos durante três anos. Encontraram que parar o medicamento durante um ano aumentava o risco em 14%. Dois anos sem o medicamento aumentavam o risco até 22%.
O investigador principal, Dr. Ziyad Al-Aly, descreveu este fenómeno como "chicote metabólico". Quando as pessoas deixam de tomar o medicamento, não é apenas o peso que volta. A inflamação, a pressão arterial e o colesterol aumentam novamente.
Os dois estudos transmitem uma mensagem clara: o uso continuado de GLP-1 protege o coração, e essa proteção depende de se manter o tratamento. Para as pessoas que veem estes medicamentos como uma solução temporária, esta é talvez a descoberta mais importante.